sean-mai-99Voltando a 95, você foi novamente à Inglaterra naquele ano?
Sim, para levar o Túnel do Tempo pela primeira vez a Liverpool. Eu havia conhecido a banda no ano anterior, quando ajudei a selecionar repertório para o CD deles pela CID. Eles me procuraram, querendo saber como ir pro festival de Liverpool. Eu entrei em contato com Bill Heckle e acabei fazendo a produção daquela primeira viagem deles. Nos anos seguintes, acho que eles aprenderam o caminho e passaram a ir sozinhos. Foi a primeira banda carioca a apresentar-se lá, ao lado de bandas de outras capitais. Te confesso que adorei o festival, é muito legal, conheci pessoalmente os editores dos fanzines “Beatles Unlimited” (René Van Haarlem) e “TBFC” (Kenji Maeda) – para os quais eu vinha atuando como correspondente brasileiro desde 93. Mas o clima de competição, interna entre os caras da banda, e externa, entre as bandas brasileiras, me desanimaram. Não rola concurso, não há banda vencedora, mas mesmo assim volta e meia sai matéria dizendo que a banda X ou Y ganhou o festival de Liverpool. Acho que isso só pode ser ranço da era dos festivais da MPB. De qualquer forma, os shows foram bem legais – e, inclusive, num dos realizados no Cavern, o ex-baterista do Wings, Steve Holly, subiu ao palco no bis e deu uma canja com o Túnel do Tempo. Eu o havia conhecido aqui no Rio em 1991, quando ele veio pro Rock In Rio II acompanhando Joe Cocker. Reencontrei na Radio Merseyside, quando Spencer Leigh me convidou pra participar de um programa ao lado de Holly, Astrid Kirchneer, o tio Charles Lennon e um dos caras do Quarrymen.

A ida à Inglaterra naquele agosto também serviu para reencontrar Martin na Abbey Road, onde ele estava terminando os trabalhos em “Anthology”. Se em abril ele estava ouvindo “I´ll Be Back” no dia em que lá fui, em agosto a música era “Here Comes The Sun”. Ele recebeu-me no Penthouse Studio, onde me apresentou aos engenheiros Alan House e Peter Hicks. Entreguei-lhe um exemplar da edição brasileira de seu livro sobre “Pepper”, que eu havia traduzido e que estava saindo no Brasil, e fizemos uma nova entrevista. Ele posou para fotos tocando sua música “The Game” ao piano e aproveitou para entregar-me um exemplar envelhecido de seu livro “Making Music”, já que eu havia dito que naquele momento – com “Paz, Amor e Sgt. Pepper” lançado – desejava traduzí-lo. A edição brasileira do livro sobre “Pepper” ganhou uma longa matéria na revista Manchete e lembro que, quando enviei-lhe um exemplar, Martin me mandou um fax dizendo que “devia me contratar como seu assessor de imprensa pois havia adorado a matéria na revista Man Shit”. Morri de rir, típico humor britânico. Um gringo lendo Manchete realmente não pode prestar. Bem, quanto ao “Making Music”, esta tradução comecei a fazer pra Editora UnB somente em 1996, mas no ano seguinte o projeto acabou parando e o livro só acabou saindo em 2001.

Com Pete Best – Agosto de 1995
 Foi nessa mesma viagem que você também entrevistou Pete Best?
Sim, ainda naquela nova viagem à Inglaterra também fiz uma entrevista exclusiva com Pete Best. Nos meses anteriores à viagem, troquei alguns faxes com seu irmão e empresário, enviando um exemplar do “International Magazine” e explicando que uma boa entrevista poderia abrir caminho para um convite para Pete tocar no Brasil – afinal, ninguém por aqui sabia de sua carreira pós-Beatles. Eles toparam e uma tarde Pete foi visitar-me no Hotel Adelphi, onde eu estava hospedado com a banda. Foi muito legal, ele pareceu-me bastante resolvido com o assunto Beatles. Mas também, àquela altura ele já devia ter recebido em sua conta o depósito de meio milhão de libras – que foi o que a Apple e a EMI lhe pagaram para liberar seus direitos conexos nas gravações inéditas dos Beatles de 62 incluídas em “Anthology 1”.

Você não ficou tentado a trazer Pete Best?
Na verdade, não. Esse tipo de show não atrai patrocinador, o cara tem que investir mesmo. Pra compensar, só um Canecão (RJ) e um Palace (SP), então desisti. Anos depois, alguém bancou e trouxe. Mas o risco é muito grande, pois você fica dependendo da mídia que pode cagar solenemente e o evento passar em segredo. Em 98 eu até fui procurado por um produtor paulistano, que eu havia conhecido trabalhando em projetos com gravadoras. Ele sabia de meu contato com Martin e me pediu ajuda pra trazê-lo para reger a orquestra de Campinas no festival de inverno de Campos de Jordão. Mas tava muito em cima e a agenda de Martin é feita com muita antecedência.

No carnaval de 98 eu reencontrei Martin no AIR Studios, quando fui a Londres pra comprar um tape de Gilberto Gil incluir numa caixa de CDs que eu estava produzindo para a PolyGram. Mandei um email, avisando que estaria na cidade, e ele convidou-me para um almoço. Cara, eu não sei explicar como… mas eu me perdi em Londres e cheguei com 40 minutos de atraso. Ao ver-me finalmente chegando no estúdio, Martin disse: “Da próxima vez, vou te dar um mapa de Londres”. Foi o maior mico da minha vida, pois o almoço foi pro espaço. Tomamos uma sopa apressada na cantina do estúdio, em seguida ele enfiou um sanduíche no bolso do paletó e, depois de umas fotos, me pediu um favor. Ele estava lançando seu CD “In My Life” e havia finalmente terminado de mixar a faixa com as Meninas Cantoras de Petrópolis, gravada especialmente para a versão brasileira do disco. Como o lançamento estava muito em cima, pediu-me que trouxesse o master no bolso e o entregasse na Universal. Foi o que fiz, e o disco saiu com a faixa – incluída nos 44 minutos do segundo tempo. A gravadora me encomendou o release e um texto biográfico pra imprensa, e dois meses depois fiz uma entrevista por telefone para o Magazine.

O seu “International Magazine”, além das entrevistas, nunca pensou num projeto especial envolvendo Beatles?
Bem, em dezembro de 95, esgotamos a edição de Natal do IM com uma capa dos três Beatles juntos e com a entrevista que eu havia feito com Martin em agosto. Foi um escândalo, uma fase muito legal. Eu havia acompanhado o lançamento de “Anthology” em Nova Iorque, pois meu amigo Daniel tinha um apartamento no East Side e a gente foi passar uma semana lá. Foi legal assistir ao primeiro episódio da série numa noite de domingo, aquele que terminou com a premiére mundial do clip “Free as a Bird”. Foi muito emocionante, pois depois dali a gente foi pra porta da Tower situada não muito longe do Dakota. A loja abriu à meia-noite, para que as pessoas pudessem comprar o CD duplo “Anthology 1”. Comprei o meu à 0:10, acho que tenho a nota fiscal dentro do CD até hoje. Depois dali, a gente pegou um táxi e lembro de termos passado acidentalmente pela porta do Dakota na volta. Incrível, a primeira vez que se ouve uma música importante precisa ser especial pra que a gente possa guardar com o devido valor. Bem, voltando ao IM, em 1998 eu montei um projeto de disco com as músicas que Lennon e McCartney haviam dado pra Billy J. Kramer, Cilla Black, Gerry & Pacemakers etc gravarem nos anos 60. Aquelas “Songs That Lennon & McCartney Gave Away”, que haviam saído num raro LP dos anos 70 – só que agora com som remasterizado. A seleção foi outra, busquei as melhores matrizes estereofônicas e, por fim, acabamos conseguindo incluir – pela primeira vez em CD e pela primeira vez em estéreo – a música “Penina”, na versão original do cantor português Carlos Mendes. Esse disquinho eu exportei para diversas lojas de colecionadores na Inglaterra e nos Estados Unidos, e hoje é uma raridade. Só teve uma prensagem.

Sean Lennon – Maio de 1999
Como foi que você conheceu Sean Lennon?
Em 1998, quando já estava bem adiantada a produção da caixa de Gil na PolyGram, resolvi procurar saber o porquê do disco “Tecnicolor” dos Mutantes nunca ter saído. Disseram-me que primeiramente não sabiam se tinham direitos sobre o master. Bem, eu fucei e acabei achando a fita no arquivo – então aquilo foi um sintoma a favor. Nos meses seguintes, corri atrás das assinaturas dos três mutantes e também de seus músicos. Como o disco só não tinha capa, em 1999 veio a necessidade de se fazer algo nesse sentido e, como os ex-mutantes não se entendem, acabei tendo a idéia – juntamente com Sérgio Dias, ao telefone – de chamar alguém que fosse, ao mesmo tempo, uma unanimidade entre os três e também alguém totalmente distante da história do grupo. Sugeri Sean porque ele havia comentado ser um grande fã da banda. Os três toparam e eu, com um fax fornecido por Vinicius Cantuária, amigo de Sean, mandei-lhe uma mensagem convidando pra missão. Dois dias depois, Sean respondeu o fax por email. Trocamos algumas mensagens e eu então sugeri à Universal (ex-PolyGram) que me bancasse uma ida a Nova Iorque, pra resolver logo esta capa com Sean. Assim, em maio de 99 passei cinco dias na cidade e, numa noite de sexta-feira, visitei o apartamento de Sean – situado no último andar de um prediozinho dos Lennon na Downing Street, no Village. Nos andares inferiores ele estava instalando um estúdio moderno. Fiquei lá de 9 da noite à 1 da madrugada, para que Sean fizesse a caligrafia pra capa, contracapa, track list, créditos etc. A coisa foi lenta porque ele estava com uma tremenda dor-de-barriga e toda hora interrompia o trabalho. Minha idéia de chamá-lo pra caligrafia foi baseada no trabalho de Phil Collins em suas capas nos anos 80, época em que também fez a capa dos dois primeiros discos de Julian Lennon. Sean fez os manuscritos e mostrou-me alguns desenhos seus. Aquilo me surpreendeu e eu resolvi tentar utilizá-los, razão pela qual nas semanas seguintes Sean enviou alguns desenhos pelo Federal Express e um deles acabou servindo pra parte interna do encarte. Evitei falar sobre seus pais, mas não resisti e comentei que realmente era tão fã que tinha até os LPs originais e os singles de sua mãe. Ele riu, dizendo que realmente a mãe tinha feito algumas coisas pop bem legais. Citei a música “Yang Yang” e ele comentou que soubera que seu pai chegara a pensar em produzir um LP da cantora Nina Simone cantando somente músicas de Yoko. Eu já tinha ouvido falar nisso, mas nem ele e acho que ninguém mais sabe porque a coisa não andou.

Vocês se reencontraram depois disso, não?
Sim, mas antes deixa eu te contar outro lance. Naquela mesma época, fins de 98/início de 99, o meu jornal ia muito mal das pernas por causa da alta do dólar, da pirataria e da crise geral na indústria etc. Estávamos buscando alternativas, e pensamos em produzir alguns eventos. Através de um amigo em comum, conheci o prefeito de uma cidade vizinha ao Rio – que vinha estimulando shows numa de suas praias. Beatlemaníaco, ele se interessou quando eu lhe contei porque Ringo Starr não viera ao Rio em 95. Quando eu comentei que em 99 Ringo faria nova turnê, ele pediu para que eu tentasse trazê-lo pois ele tinha grande interesse. Pois bem, quando fui a Nova Iorque naquele maio de 99, aproveitei a viagem para marcar uma visita ao escritório do empresário de Ringo. Levando comigo uma carta, em que o prefeito manifestava seu concreto interesse, tive uma rápida reunião pra coletar dados e ganhei de presente um par de baquetas personalizadas de Ringo… e uma maldita fita de vídeo, com um show da última turnê do ex-beatle. Bem, chegando aqui eu mandei a fita pro prefeito por motoboy… e, naquela mesma noite, lá pelas três da manhã, o prefeito ligou-me dizendo que assistira o show, achara baixo-astral e por isso estava desistindo da idéia do show na praia. Com isso, eu também desisti. Não mexo com isso nunca mais!!!

Por quê?
Por todos os motivos já explicados acima, e também porque a produção de show gera um vazio enorme depois. Senti isso algumas vezes. Você trabalha meses na produção do evento e aí, na manhã seguinte ao show, que normalmente durou no máximo duas horas, você não tem mais nada além de lembranças e fotos pra contar a história. Prefiro fazer discos e livros, além de meu jornal – que é um projeto mensal.

Fróes, Sean Lennon e Arnaldo Baptista – Outubro de 2000
Mas você ainda envolveu-se em alguns shows, não?
Não exatamente. Com o projeto dos Mutantes, tornei-me amigo de Arnaldo Baptista. Como mantive contato com Sean nos meses seguintes ao “Tecnicolor”, quando foi anunciada sua vinda ao Brasil para o Free Jazz em outubro de 2000, ele me perguntou se teria como conhecer Arnaldo. Como o ex-mutante ia estar no Rio, falei que poderíamos armar um jantar e que de repente o Sean poderia até convencê-lo de dar uma canja em seu show. Sean ficou animado e mandou email dizendo que ia começar a ensaiar “Panis et Circensis”. Achei aquilo temerário, pois a música é complexa – principalmente nos vocais. Mas tudo bem. No dia em que Sean chegou, peguei Arnaldo em Ipanema e fomos à noite de táxi até o Hotel Sheraton – onde apresentei os dois. Embarcamos todos na van da produção, juntamente com a banda de Sean, e seguimos para a churrascaria Porcão Rio´s – no Aterro do Flamengo. No caminho, Sean confirmou o convite pra canja e os dois começaram a falar sobre repertório. Sean insistiu em “Panis” e Arnaldo pediu que em troca cantassem uma de John: “You´ve Got To Hide Your Love Away”, que foram cantando até a Porcão. Após o jantar, voltamos pro hotel à meia-noite – para que os dois pudessem ensaiar para o show, marcado para o dia seguinte. No quarto, por diversas vezes eles cantaram “Panis” – até acertarem. Uma das fotos que tirei foi parar na capa de “O Globo”. Findo o ensaio, ficamos papeando e Sean comentou sobre as diferenças musicais entre o pai e Paul, dizendo inclusive que – quando fora a Londres meses antes – visitara o ex-parceiro do pai levando seu CD, mas que Paul preferiu guardar para ouvir depois. Grosseria, né? Bem, a noite terminou com Sean tocando “How Do You Sleep?” ao violão… (risos) O show foi muito legal, a participação do Arnaldo ficou bem badalada – todo mundo viu pela MTV. Sean foi pra Bahia e depois é que resolveu participar do projeto “Lennon”…

O disco tributo “Dê Uma Chance à Paz”?
Sim. Em meados de 2000, eu já estava trabalhando na produção da segunda caixa do Gil – pra Warner – e encontrei-me com Celso Fonseca no escritório do artista. Celsinho perguntou-me se eu não teria algum projeto para desenvolver no selo Geléia Geral, sociedade dele com Gil. Eu falei bem baixinho: “Que tal um tributo a John Lennon?” Ele espantou-se, eu falei que naquele ano Lennon estaria fazendo 60 anos – além de 20 anos de morte – e que nada estava sendo feito. Na semana seguinte, acho que depois de ouvir o que Gil achava, ele ligou-me dizendo que o projeto estava aprovado. Interessante ver que, entre seus tributos a Luiz Gonzaga e Bob Marley, suas grandes influências, Gil indiretamente também prestou tributo a John Lennon, autor de “Strawberry Fields Forever” – o single que ele tanto ouvira em 67 e que tanto inspirara o lado musical “georgemartiniano” do Tropicalismo. Os Beatles foram uma forte influência pra Gil também. Enfim, então reuni-me com Celso e começamos a anotar as idéias de repertório e de artistas a serem convidados. Eu havia falado baixinho sobre “disco-tributo”, porque aqui no Brasil geralmente esses discos ficam uma bosta. São encampados por uma grande gravadora, que acaba querendo utilizar nas gravações somente os artistas de seu elenco. Isso é muito perigoso, mas no caso do selo Geléia – sem artistas – a coisa fluiu bem legal. A gente escolheu todo mundo e saiu convidando. A primeira pessoa a gravar foi Zé Ramalho, um grande fã dos Beatles, desses que compram bootleg e querem ter tudo. Eu já conhecia o Zé há alguns anos e ele topou de imediato, principalmente quando sugeri que ele cantasse “God” – cuja versão original, com Lennon ao violão, havia me feito pensar nele pra cantá-la. Ao chegar ao estúdio, o Zé puxou do bolso e me deu o bonequinho de um dos vilões de “Yellow Submarine”. Sua gravação ficou ótima e dois dias depois Cássia Eller, outra beatlemaníaca declarada, entrou no estúdio do Leblon pra gravar “Woman Is The Nigger Of The World”, que vinha cantando em shows e que inclusive já fazia parte de seu DVD. A partir dali, foram vários artistas gravando no correr de um ano de produção. Alguns vieram pedindo a música, outros aceitaram nossas sugestões. Nando Reis, Lobão, Zeca Baleiro, Moska e Lulu Santos já vieram com a música na cabeça, enquanto que pro João Barone eu sugeri uma versão de “Tomorrow Never Knows”. Também beatlemaníaco, João estreou ali sua carreira solo – cantando pela primeira vez! Herbert também participou, gravando uma das duas músicas que eu havia lhe sugerido. Ele encarou “I Know (I Know)” e ficou perfeita. Mandou o DAT pouco antes do Natal de 2000 e aquela foi sua última gravação antes do acidente. Toni Platão gravou “Bless You”, uma música que eu imaginava na voz de alguém com seu timbre. Zélia Duncan entrou no final da produção em 2001, depois de não ter podido participar do início dos trabalhos no ano anterior. Eu na verdade havia enviado duas músicas pro Herbert exatamente porque uma delas era a música que Zélia deixara de gravar, por não poder participar. A música era “Look at Me” e, como ele não a gravou, eu contei a história pra ela e mostrei a versão de Lennon. Ela apaixonou-se pela música, entendeu porque eu achava que tinha tudo a ver com ela… e acabou gravando. O curioso é que esta música é irmã gêmea de “Julia”, que Lennon gravou no “Álbum Branco” dos Beatles. Há alguns meses saiu um disco póstumo de Cássia Eller e lá está uma versão sua para essa música. O ciclo se fechou na minha cabeça. Mas o disco podia ter ido mais longe. Caetano Veloso havia dito que participaria, enviei um CDR com a faixa “Isolation” pra que ele bolasse um arranjo de voz e violão. Não fez por falta de tempo, como também não puderam participar Kid Abelha (eu sugeri “One Day At A Time”, que inclusive tinha espaço para um solo de sax no final), Rita Lee (eu sugeri “Oh My Love”, perfeito para um belo piano que só Roberto de Carvalho saberia fazer) e alguns outros – como Erasmo Carlos, Ed Motta, Flávio Venturini e Skank, simpáticos ao projeto mas totalmente assoberbados. Pro Gil eu havia sugerido “Intuition” – super gostosa, e com uma frase que cita o título de uma música que Gil fez em 1985 e que só agora, na caixa de 2002, foi lançada: “It´s Good To Be Alive”. E pro Milton eu havia sugerido “Love”, mas no final os dois resolveram gravar juntos, no embalo do disco “Gil & Milton”, e aproveitaram pra registrar em estúdio a música que eles haviam cantado na abertura do “Rock In Rio 3”: “Imagine”, que pra mim é a faixa menos charmosa do disco. Certas músicas são tão autorais, que não devem ser regravadas por ninguém.

O encontro entre Sean Lennon e Gilberto Gil – Outubro de 2000
Sean não ia participar do disco?
Pois é, deixa eu continuar. No dia em que fomos jantar com Sean, Arnaldo e eu passamos no estúdio para que eu pudesse apresentá-lo ao Celsinho. Eu havia sugerido que aproveitássemos a passagem do Arnaldo pelo Rio para tê-lo no disco também. Ele não gravava há muitos anos, então seria algo emocionante. Sugeri “Give Peace a Chance”, então tudo ficou combinado. No dia seguinte, ou coisa parecida, o Arnaldo voltou e o Celso já havia preparado uma base com violão e bateria eletrônica. Arnaldo adicionou diversos vocais, nós todos adicionamos palmas e deixamos a gravação de stand by. Sean Lennon estava na Bahia com Daniel Jobim, neto de Tom e seu amigo pessoal. Daniel também é amigo de Celsinho, então comentou mais aprofundadamente sobre o tributo que estávamos gravando. Não sei como, Sean resolveu participar do disco e mandou avisar que teria alguns dias pra gravar – na volta de Salvador, antes de retornar pra Nova Iorque. Ele desejava gravar com o Quarteto em Cy, então fui atrás e as convidei pra participarem do projeto “Lennon”, sem dizer que seria um dueto com Sean. Ele queria total segredo. Realmente ninguém sabia que ele estava no Rio, embora o “Jornal Nacional” até já o tivesse mostrado na gandaia pelas ruas da Bahia. Sean chegou num domingo e quis conhecer o estúdio. Fizemos uma reunião, na qual ele ouviu a gravação de Arnaldo e vibrou com os improvisos vocais, já que Arnaldo não guardou os versos e realmente aqueles versos estavam totalmente datados. O principal era o refrão e Sean deu socos no ar de alegria quando ouviu a expressão “psychedelic atheism”, dizendo que Arnaldo era o verdadeiro hippie. Sean trouxe consigo um mini-disc com os 29 takes de sua demo de “Julia”, em ritmo de bossa nova como ele gostaria de gravar com o Quarteto. Pediu um baterista das antigas e o pessoal do estúdio tratou de localizar Wilson das Neves já para o dia seguinte. A base foi gravada entre segunda e terça, enquanto as cantoras do Quarteto aguardavam ansiosas pra saberem em que dia iriam gravar. Só na quarta eu liberei a notícia de que gravariam com Sean, então foi um acontecimento. Elas gravaram o dia inteiro com ele, gravando uma voz de cada vez. Deu uma trabalheira danada. Á noite, pouco antes de irem embora, receberam a visita de Gil – com quem haviam começado a carreira, juntos em Salvador. Gil ficou até mais tarde, conversando etc, e quando ele foi embora Yuka sentou-se no Pro Tools para fazer um rough mix. A noite se encerrou e Sean levou consigo uma cópia do material em CDR, para complementar em Nova Iorque, enquanto Yuka manifestou interesse em finalizar a gravação de Arnaldo com seu grupo Cibo Matto. Com o tempo, não sei bem porque, Sean acabou admitindo num e-mail que não estava conseguindo finalizar a gravação e pulou fora do projeto – o que achei uma sacanagem; não só conosco, mas principalmente para com o Quarteto (de quem ele disse ser fã ardoroso). Yuka terminou a faixa e me enviou pessoalmente em 2001, quando o namoro deles inclusive já havia terminado. Quando o disco foi lançado em novembro daquele ano, enviei uma cópia pra Yoko Ono no Dakota e ela me respondeu com um simpático cartão de Natal.

O disco foi lançado com um show na praia de Copacabana?
Sim, foi algo bem transado pelo escritório do Gil. Foi bacana, pois – além de diversos artistas que estão no disco – outros também puderam participar. Como Roberto Frejat, que cantou “Revolution” e depois participou de um duelo de guitarras com Celsinho em “While My Guitar Gently Weeps”, cantada ao final como forma de homenagear George Harrison, falecido na semana anterior. Nando Reis também participou, cantando não só “Mind Games” como também “I´m So Tired” – música que ele resolveu cantar no projeto “Submarino Verde e Amarelo 2”, quando o convidei durante um chopp no Bracarense após a gravação de “Mind Games” no estúdio do Leblon.


Você também participou deste projeto?
Sim, mas tive problemas. Desde 1999, quando fora feita a primeira edição do “Submarino Verde e Amarelo”, eu vinha sendo procurado pelo idealizador do projeto – que já planejava um segundo show e queria, de alguma forma, a participação de George Martin. Olha só, lá tava eu de novo sendo procurado por causa do velho. Escolado, eu tratei tudo por email – bonitinho, pra não ter surpresas. Fui convidado por email para co-produzir a segunda edição, que renderia tanto especial de TV quanto CD e DVD. Fomos a Londres em novembro de 2000, para coletar um depoimento de Martin para o projeto – que era em benefício de um hospital para crianças com câncer. Ele deu um belo depoimento e eu naturalmente emendei em mais uma entrevista. Foi um papo legal, filmado e gravado. Quando voltamos, trouxe para o projeto alguns nomes – como Toni Platão, dentre outros – e, na hora dos ensaios, não fui avisado. Na edição do especial de TV, não usaram minha entrevista com Martin… mas meu nome está na ficha técnica, como co-produtor. Quando o disco saiu, meu nome não estava nem na contracapa e nem na ficha técnica. Eu até hoje penso qual a melhor alternativa pra consertar essa cagada, mas acho que talvez contar isso aqui seja uma boa. Alguns artistas ficaram realmente putos – não só por minha situação, mas porque o tape foi vendido por uma boa grana para uma grande gravadora e o encarte do disco não fala que se trata de um projeto beneficente. Na sequência, saiu também um DVD com trechos deste show e também da primeira edição. Uma pena, pois tinha uma cena da gente chegando no muro da Abbey Road, todo pintado pra promover a coletânea “1”, que estava sendo lançada naquela semana, e rabiscando o nome de todos os brasileiros que haviam participado das duas edições do “Submarino Verde e Amarelo” – inclusive o meu. Mas alguém preferiu não usar isso, né? Mas eu tenho cópia… além de fotos.

Abbey Road Studios – Vista Geral
Você não pensou em fazer mais nenhum projeto?
Sinceramente não. Na época em que o tributo a Lennon estava finalmente saindo, eu até pensei em fomentar algo pra homenagear Macca por seus 60 anos. Afinal, Ed Motta havia dito que de um tributo ao Paul ele participaria de qualquer forma. Cássia Eller também comentou isso. Haveria gente pra algo assim em 2002, mas eu preferi não fazer novamente a mesma coisa. Seria muito parecido e esses projetos dão muito trabalho e quase nenhum retorno. Meu tempo é curto, pois – além do jornal e dos meus projetos de resgate – eu também tenho uma filha de 2 anos e meio que merece uma parte considerável do meu tempo. O excesso de trabalho teve sensível parcela de culpa no insucesso de meu primeiro casamento, então hoje – com uma nova família – eu peso melhor minhas prioridades. As idéias pintam daqui e dali e certamente ainda farei coisas no chamado “universo beatle”, mas sinceramente a única coisa que penso – ou melhor, sonho – em fazer um dia é entrevistar Paul McCartney. Mas te confesso que não corro atrás, não, embora tenha visto que nos últimos anos Paul tornou-se alguém bem mais acessível.

Mas você tem alguma coisa com o livro autobiográfico que Martin fez para a editora Genesis.
Informalmente, a gente se envolve nas coisas. Não é um lance profissional. Veja bem, quando a caixa do Gil saiu em 1999 eu enviei uma pelo correio pro George, dizendo a ele o quanto os Beatles e ele próprio haviam sido importantes também nas mudanças de minha vida profissional. Sua secretária e amiga Shirley Burns, que algumas vezes me ligara ao invés de responder fax, ligou pra agradecer. Disse que haviam visto “Central do Brasil” e que, desde “Orfeu Negro”, não haviam visto um filme brasileiro tão bonito. Super simpática, sempre. Eu comentei que George deveria pensar em fazer uma caixa comemorativa de seus 50 anos de carreira no ano 2000. Fiquei feliz quando saiu a caixa “Produced by George Martin” em 2001. Eu não tive nada a ver com aquilo, mas lá atrás havia dado um toque. Quando eu soube que iria rolar um limited edition autobiográfico de George pela Genesis, estando em contato com a editora, enviei emails com várias das fotos que eu havia tirado aqui no Rio em 93 – e me informaram que algumas seriam utilizadas, portanto me pediram autorização formal e cópias impressas em papel fotográfico. Peguei os negativos, mandei fazer e enviei tudo pelo correio. O livro “Playback” já saiu e lá está registrado o encontro de Martin com Tom Jobim, o que deve ser motivo de orgulho pra todos nós. Martin sempre declarou que a vinda ao Brasil foi um momento marcante em sua vida, portanto natural que fosse registrada em sua autobiografia ilustrada. Pois bem, adivinhe o que aconteceu? Alguma bicha ressentida mandou email anônimo pro Globo, quando saiu uma notinha comentando sobre minhas fotos no livro de Martin. Servindo-se de email público, a figura declarava que eu era um mentiroso e que as fotos haviam sido tiradas por um fotógrafo do jornal. Um outro cara, em sua própria homepage, teve a coragem de declarar que uma foto que ele estava veiculando havia sido tirada por um fotógrafo do jornal que havia patrocinado o jantar. Ora bolas, as fotos quem tirou fui eu e quem patrocinou o jantar foi o British Council, que é o adido cultural britânico. Eu poderia juntar meus negativos e o depoimento de uma ex-namorada, que estava comigo naquela noite e que por acaso é uma Juíza de Direito, e dar uma boa surra nessas pessoas na Justiça, não? Mas, cara, fui advogado por 10 anos e hoje naturalmente tenho uma baita preguiça pra essas confusões.

Como você deixou de ser advogado, para tornar-se um pesquisador e produtor?
Em 1992, quando estivemos na Inglaterra, passamos um bom tempo no Penthouse Studio da Abbey Road com Mark Lewisohn – que estava ouvindo os tapes originais das sessões de John Lennon nos anos 70. Eu fiquei sentado num sofá em que, bem ao meu lado, havia uma imensa pilha de tapes multitracks. Tudo anotadinho, com datas etc. Ele me chamou pra mesa e me deixou mexer nos controles, separando voz de baixo, guitarra, bateria etc. Eu gostei daquilo. Em 1994, quando eu estava começando a pesquisa para meu livro sobre a Jovem Guarda, resolvi que – por ser um movimento mercadológico – a história teria que girar em torno dos discos. Autorizado pela diretoria, mergulhei no arquivo da Sony (ex-CBS) no subúrbio de Acari por alguns meses e fui anotando o conteúdo dos tapes dos artistas daquela época. Quando encontrei uma fita do Leno com uma música chamada Johnny McCartney, aquilo me chamou atenção – primeiro por causa do título, lógico, e segundo porque somente quatro das faixas haviam sido lançadas num EP em 1971. Liguei pro Leno e ele pulou da cadeira, porque aquele LP havia sido censurado e cancelado pela gravadora. E, na época, haviam lhe dito que a fita seria apagada. Quase 25 anos depois, eu o estava procurando por ter encontrado essa fita. Pra encurtar, a gente pegou a fita e foi pro estúdio de meu amigo Orley Gonçalves pra ouvi-la. Como a Sony não se interessou em lançar, Leno abriu um selo e lançou independente. Eu tomei gosto pela coisa e comecei a visitar arquivos de outras companhias, até que na PolyGram achei diversas sobras de Gilberto Gil. Eu sabia também que ele tinha um segundo disco gravado em Londres durante o exílio, e que esquecera por lá o tape quando voltara pro Brasil. Conheci Gil em abril de 95, quando comentei sobre as sobras e sobre o disco londrino. Quando resolvi ir a Londres no mês seguinte, procurei Gil e pedi mais detalhes sobre o tape perdido. Este tape só apareceria dois anos mais tarde, ensejando minha volta a Londres em fevereiro de 98, mas já ali em 95 – vendo Martin mexer no material dos Beatles para o projeto “Anthology” – eu fiquei com um tesão danado no assunto e voltei de Londres determinado a fazer algo com as fitas de Gil. Foi aí que a PolyGram me chamou pra fazer uma caixa… De lá pra cá, foram diversos projetos nesse sentido arqueológico com Mutantes, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Nara Leão, Erasmo Carlos, Zé Ramalho, Fagner, Legião Urbana, Barão Vermelho, Kid Abelha etc.

Você citou o Kid Abelha. Você teve algo a ver com Os Britos?
Em 93, quando iam lançar o filme “Backbeat” por aqui, fui procurado por alguém da distribuidora – que estava com dificuldade de encontrar um título em português. Chamou-me para assistir numa cabine, aqui no centro do Rio, e eu realmente gostei do filme. Não consegui pensar em título algum, mas sugeri que para o lançamento reunissem músicos de bandas conhecidas para fazer um som – da mesma forma que a trilha sonora original havia sido gravada com caras do Nirvana e de outras bandas grunge. Não fui ao lançamento, acho que foi no Circo Voador, mas soube que haviam montado uma banda com caras do Barão Vermelho, do Kid Abelha e do Telefone Gol. No ano seguinte, assisti a um show dos Britos acompanhados pelo Sérgio Dias no Mistura Fina – mas nunca mais tive contato. Em agosto último, me tocando de que a Apple e a EMI nada fariam para celebrar os 40 anos de “Love Me Do”, provavelmente em função da recente morte de Harrison, pedi ao amigo Elias Nogueira que agendasse um papo com o baterista Guto Goffi. Sugeri que os Britos, que vinham se apresentando num barzinho de Laranjeiras, fizessem um show pra ser gravado em CD. Afinal, eles poderiam aproveitar os 40 anos dos Beatles para celebrar os 10 anos do projeto Britos (agora em 2003) com um registro em disco. Seria uma pena esse projeto acabar um dia sem deixar qualquer registro. Ele achou legal, George Israel e os outros também. Trocamos algumas idéias, dei algumas sugestões, tivemos uma reunião e um jantar, e um show foi realizado no Espaço Cultural Sérgio Porto – para ser gravado com o equipamento deles. A TVE aproveitou para filmar e um especial foi exibido pouco antes do último Natal. Foi muito legal, pois Paulo Ricardo, Moska, Carlos Coelho (do Biquini Cavadão), Fernando Magalhães (do Barão) e outros deram canja. Frejat e Zélia Duncan gravaram suas participações em estúdio. Talvez role disco um dia, quiçá um DVD.

É muita história…
Sim, é muita mesmo. Mas tenho tudo documentado, não há delírio nenhum em nada. Sei que antigamente, antes da globalização que a Internet propiciou, rolava muita mentirinha e ficava tudo por isso mesmo. Eu volta e meia flagro uma cascatinha de alguém. Qualquer história que envolva um beatle dá Ibope, você sabe.

Há aqui uma foto sua com Stevie Wonder. O que tem a ver?
Isso foi muito engraçado. Em outubro de 95, Stevie veio ao Rio pra cantar no Free Jazz Festival e eu fui à coletiva – credenciado pelo meu jornal, profissionalmente. No meio da coletiva, o jornalista Heitor Pitombo – também beatlemaníaco – mandou na lata uma pergunta, querendo saber se Stevie já teria escutado uma gravação pirata dele com John e Paul em 1974. Stevie disse que não sabia de fita alguma e que nem se lembrava disso ter acontecido. Instintivamente, eu falei que tinha – pois há alguns anos possuía o CD pirata “A Toot and A Snore”, com metade do cassete que rolou no estúdio enquanto Paul visitou John no início da produção daquele álbum de Harry Nilsson. Como o Stevie estava gravando no estúdio ao lado, apareceu também e eles acabaram cantando “Stupid” juntos. Bem, quando eu falei isso tenho a impressão de que o Stevie olhou pra mim (risos) Então seu irmão e empresário, acho que se chama Milton, veio até mim e me passou seu cartão. Após a coletiva, eu expliquei que tinha esse bootleg e que poderia copiá-lo, então me deram um passe especial para o camarim do Stevie no Metropolitan e após o show entreguei-lhe a gravação, juntamente com uma xerox das páginas do livro de May Pang em que a história é narrada em detalhes. Lembro que o “Globo” noticiou esse lance, foi muito engraçado.

Você é um tradicional inimigo das bandas cover dos Beatles. Ainda mantém esta postura de não ver nenhuma relevância em bandas cover?
Sim, pelo menos com relação àquelas que se levam muito a sério. Banda cover pra ser legal tem que ser curtição. O fato de ser curtição não compromete a seriedade, veja bem, mas a coisa fica esquisita quando os caras querem ficar famosos como banda cover – gravando disco etc. É impossível fazer carreira com uma banda cover, entende? Não chego a ser inimigo de banda cover, mas não tenho muito saco não.

A julgar pelo seu jornal, você tem uma postura mais ‘roqueira’ do que necessariamente beatlemaníaca. E você, se considera mais roqueiro ou mais beatlemaníaco?
De uns anos pra cá, cada vez mais mergulho no universo da música brasileira recente – dos anos 50 pra cá. Não me considero um roqueiro há muito tempo, mas beatlemaníaco creio que continue sendo – espiritualmente, serenamente, sem histeria. Compro sempre os discos, faço questão de ter os importados e na verdade inclusive até as edições inglesas em vinil. Mas não tenho mais tempo pra ficar curtindo tanto, o que me faz sentir saudade da adolescência.

Desde quando existe o “International Magazine”, como surgiu e por quê?
O jornal foi fundado por meu ex-sócio Marcos Petrillo em outubro de 1990, tendo circulação irregular até o final de 94. Através do amigo em comum Elias Nogueira, nós nos conhecemos e ele me ofereceu sociedade para que pudéssemos tocá-lo mensalmente a partir de janeiro de 1995. Assim tem sido, numa saudável parceria com Hélio Fernandes Filho – da Tribuna da Imprensa, jornal aqui do Rio. Desde janeiro do ano passado os diretores somos somente eu e o Helinho.

Qual a cidade mais beatlemaníaca do Brasil, Rio de Janeiro ou São Paulo?
Creio que São Paulo, disparado, porque a coisa é mais organizada. Há fã-clubes, ainda que rivais, e há lojas especializadas. Aqui também já tivemos algumas, mas a maioria fechou ou mudou de enfoque. Eu tô meio por fora disso, mas é o que sei dizer a respeito.

Na sua opinião, quem é o ‘quinto beatle’ (considerando que ele existisse) – George Martin, Pete Best ou Brian Epstein?
Bem, o que é o mais importante nos Beatles? Aquilo que ficará pra sempre, que são suas músicas e seus discos, não? Se Brian mal entrava no estúdio e morreu no meio do caminho, e se Pete era o quarto beatle e dançou antes da festa começar, não sendo portanto quinto beatle nunca, creio que o quinto beatle sem margem de dúvidas seja o produtor e arranjador George Martin – afinal, ele estava lá quando as músicas foram finalizadas e gravadas. Ele participou de muito processo criativo e eu sou da opinião de que ele deveria ser co-autor em alguns casos – como “Eleanor Rigby”, por exemplo.

Quem você levaria para uma ilha deserta, a Yoko Ono ou a Heather Mills?
Depende. Se fosse pra largar ela lá, seria uma. Se fosse pra ficar com ela lá, seria outra. Então você já sabe quem é quem, né?

A seu ver, qual a importância da Internet para o fã brasileiro?
Antes de 95, pelo menos, ninguém tinha acesso a notícias dos Beatles mais a fundo se não fossem assinantes de Beatlefan, Beatles Unlimited, Beatles Book e TBFC (Japão). Não tinha jeito, tava tudo lá. Com a Internet, e com os instrumentos de busca cada vez melhores, hoje em dia você acha qualquer coisa na rede. Em termos de Beatles, é uma festa a cada busca – e existem 1001 formas de se pesquisar Beatles na Internet. E a existência de um portal como o de vocês, que é muito mais que um site, serve como um oásis – tanto para a garotada que está começando, como para os veteranos que já não têm tanto tempo pra fuçar. Enfim, o importante vocês já têm: conteúdo, com diversas colunas e colaboradores, e um design leve e objetivo. Fico de saco cheio quando entro em sites que, para você navegar, parece ser necessário fazer um “cursinho”: palavras enigmáticas, links ocultos etc – além de tratamentos de imagem que, para os fãs, são um atentado. O fã que entra num site não está procurando o portifólio de um webdesigner, mas sim notícia clara e fotos limpas. Um webdesigner que tem a sensibilidade para saber a hora de viajar na maionese ganha muitos pontos comigo, pois não tenho tempo para navegar muito e esperar horas pra baixar cada página realmente não faz parte da minha rotina. Odeio sites pesados e poluição visual. Parabéns pelo site de vocês, colaborarei sempre que possível, oportuno e benvindo.