massao01Se tem uma imagem icônica na Beatlemania Nacional é a capa da revista Veja, lançada naquela fatídica semana em que o mundo vivou o horror de perder John Lennon em um assassinato covarde, quando estava voltando às paradas com seu novo álbum. Era uma volta muito aguardada e aquela fatalidade movimentou milhares de redações de jornais no mundo inteiro. Dezenas de capas foram produzidas mundo afora, mas nós, brasileiros, ficamos com a mais bonita: a revista veja com uma bela pintura de John Lennon e a frase “Lennon e o nosso tempo” – mais bonita que a capa da TIME, por exemplo, que usou também uma pintura de John. Massao nos contou detalhes sobre sua obra-prima neste rápido bate-papo.

Por José Carlos Almeida

Sua imagem de John Lennon se tornou icônica, graças à revista Veja. Como aconteceu a publicação? Foi por encomenda da própria revista?
No dia 8 de dezembro de 1980 eu estava tomando banho, ouvindo o noticiário matinal. Quando começou a tocar “Starting Over” do álbum Double Fantasy, recém lançado. Pensei comigo: genial, os caras estão promovendo o álbum do Lennon e da Yoko no meio do noticiário! Achei que era uma grande sacada, mas quando o locutor anunciou o assassinato do John em frente ao Dakota, foi um choque. Saí do banho fui pra cozinha e dei a notícia para minha mulher, choramos muito! Fui para o estúdio, peguei uma grande quantidade de revistas dos Beatles, recortei com a mão um série de fotos em preto e branco, num cartão de 120 x 70 cm, fiz uma colagem. Em cima dessa colagem fiz o retrato colorido do Lennon, usando como modelo a foto encarte do Álbum branco.

Liguei para o Laércio D’angelo que era o diretor da revista na época, disse a ele que possivelmente o Lennon seria a matéria de capa da próxima edição. Ele estava saindo da reunião de pauta, que é realizada todas as segundas-feiras, concordou comigo e disse que o assassinato do John era uma grande tragédia, e que certamente seria a notícia mais importante da semana. Levei meu desenho pra ele e na quarta-feira ele me liga de manhã. Diz que a capa será minha, mas que as fotos que usei no fundo do retrato seriam usadas na matéria. Precisavam de outra. Tinha ainda um porém: a revista costuma trabalhar sempre com duas possibilidades de capa, portando somente no sábado, quando o Laércio me ligou é que tive a certeza que a capa estaria com o retrato do Lennon desenhado por mim.

massao02Que técnica você usou para produzir a ilustração?
Fiz um novo desenho, desta vez usando aerógrafo. Comecei na hora do almoço da quarta e fui terminar na quinta. Trabalhei 30 horas seguidas ouvindo Beatles ininterruptamente.

E como é a sensação de ver o seu John Lennon invadir o Brasil?
Que prazer indescritível, saber que na manhã de domingo meu desenho estaria estampado na capa de 800.000 revistas. Foi muito prazeroso dar umas voltas e ver a revista pendurada nas bancas.

O que você achou da frase usada pela revista na capa (Lennon e o nosso tempo). Gostou da matéria sobre Lennon na revista?
Gostei muito da matéria. E o título tem carater épico, que faz jus à importância e à influência que John Lennon exerceu no seu tempo.

Pode-nos dizer quanto ganhou pela publicação da imagem?
Difícil calcular o que se pagava na época, acredito que tenha sido algo em torno de U$$1.000 (mil dólares).

Atualmente você vende posters com essa imagem, certo? O que um interessado deve fazer para adquirir?
Medida: 57×44 cm, impresso em offset, 4 cores, papel couchê telado. Preço: R$ 50,00 (cinquenta reais), mais despesas de correio. Interessados podem entrar em contato pelo meu e-mail: mhotoshi@gmail.com.

Você produziu outras pinturas tendo os Beatles e o Rock’n’roll como tema?
Continuo trabalhando com o tema. Atualmente estou fazendo a série ‘Os Cabeções do Rock’.

E capas de discos, quais tem o seu toque artístico?
Fiz a capa do disco ao vivo da Ângela Ro Ro, as capas do álbum e dos compactos da banda paulista de Rockabilly Cokeluxe.

massao03Há quanto tempo você é fã dos Beatles? Costuma frequentar eventos?
Sou fã dos Beatles, desde 1964, acompanhei toda a trajetória deles desde o início, vivi a ansiedade de esperar pelo próximo LP.

Fui apresentado a você pelo Luiz Lennon, do Cavern Club. Você o conhece há muito tempo?
Eu o conheci há 35 anos, justamente quando lancei o pôster. Ficamos sem nos falar por todo esse tempo e através do Facebook nos reencontramos.

Por falar nisso, você também tem atuação no cenário roqueiro paulista dos anos 60, certo?
Tive uma banda chamada “Spectral Zoo”, mas como músico sou um ótimo ilustrador… hahaha…

Você esteve em algum show de Paul McCartney ou Ringo Starr no Brasil? O que achou?
Fui ao Allianz Arena no final do ano passado para assistir o show do Paul McCartney. É um prazer imenso ver um beatle ali ao vivo, cantando alguns dos grandes clássicos.