Há 25 anos… dia 11 de abril de 1991.

ringosimpsons

POR FELIPE FIGUEIREDO MELLO*

Uma das sortes da vida de um escriba é poder contar sobre algo de que gosta. A sorte maior é poder escrever sobre mais de um tema de que gosta, articulando-os para estabelecer uma pequena síntese sobre essa combinação de temas. E a sorte deste escriba, além de ser irmão e um colaborador frequente do efemérides, é poder dar continuidade à vasta seção de posts sobre Beatles e, simultaneamente, inaugurar um tema que também habita o coração: os Simpsons!

O post inaugural sobre Os Simpsons é a celebração de um episódio específico, chamado “Capricha no Retrato” (“Brush with Greatness”, em inglês). O décimo oitavo episódio da série, em sua segunda temporada, completa hoje 25 anos. E o que torna o episódio tão especial? A participação de Ringo Starr, o primeiro Beatle a ser desenhado por Matt Groening e sua equipe!

O roteiro do episódio é tão feliz que se torna impossível fugir dos símbolos implícitos na construção da trama. E é evidente que não haveria outro Beatle possível a se encaixar na história. Tinha que ser Ringo!

A história começa com a célebre família indo ao parque aquático do palhaço Krusty, o Monte Salpicante. Ao descer em um tobogã, um obeso Homer fica entalado e se vê obrigado a iniciar regime de muitos exercícios e poucas calorias. Ao procurar seus equipamentos de ginástica no sótão, Homer e Bart encontram dezenas de quadros pintados por Marge em sua juventude. Todos eles retratos de… Ringo!

Ao perceberem o talento reprimido de Marge, a família a incentiva a retomar a pintura e a iniciar aulas. Ao mesmo tempo, Homer começa seu regime.

Não vou contar o episódio. O único elemento da história que vou deixar aqui pro leitor é que, à certa altura, Homer e Marge se veem desmotivados a seguirem suas jornadas. E quem entra na trama é o próprio Ringo, que acaba encorajando ambos a enfrentar seus medos mais profundos.

Justo Ringo! O Beatle acusado injustamente de ter pouco talento.

O Beatle que se sentiu pouco prestigiado quando George Martin, sem conhecê-lo, preferiu um “baterista profissional” para substituir Pete Best no começo da trajetória dos Fab Four.

O Beatle que ameaçou sair da banda por não sentir que poderia contribuir, em 1968.

E eis a enorme felicidade do roteiro deste episódio, escrito por Brian K. Roberts: é uma história de batalhas íntimas, de procura por autoestima. A história seria boa por si só com Homer e Marge, cada qual com seu duelo individual. A participação de Ringo, dono da voz do personagem no episódio, foi uma espécie de cereja do bolo!

Duas curiosidades interessantes: ao desembarcar em Los Angeles para gravar suas falas, a orientação da assessoria era que Ringo não deveria ser tocado por ninguém e nem assinaria nenhum autógrafo. A limusine mal havia estacionado nos estúdios da Fox e logo Roberts apareceu com um grande pôster pedindo para o Beatle autografar!

Enquanto esteve nos estúdios, Matt Groening perguntou a Ringo como ele preferia ser desenhado: no estilo Simpsons ou no estilo “Yellow Submarine”. Ele preferiu a segunda e já consagrada opção!

Mais tarde, George Harrison e Paul McCartney também teriam a oportunidade de dar voz a seus personagens em outros episódios da série.

Mas essa(s) história(s) fica(m) pra outro dia… Porque todo dia é histórico.

* Felipe Figueiredo Mello é Simpsomaníaco!

Trecho do episódio, em inglês:

Fontes:

Wikipedia

IMDb

– simpsons.wikia.com

Conheça o blog

efemérides do éfemello