marcus-rampazzo01[Entrevista realizada e lançada originalmente em 2003]

Um dos grandes músicos da cena Beatle nacional, Marcus Rampazzo é o George Harrison da banda Beatles 4ever, provavelmente a mais conhecida banda cover de São Paulo. Leia a seguir uma entrevista concedida à equipe do portal Beatles Brasil (Jose Carlos Almeida e Ze Lennon), precedida por uma biografia, retirada do seu site VINTAGE GUITAR, especializado em guitarras antigas.

Marcus Rampazzo estudou Teoria Musical no Conservatório Ernesto Nazareth. Se aperfeiçoou no Conservatório Musical Paes de Barros. A partir daí, dedicou-se exclusivamente ao rock. Antes de viver o papel de um Beatle, Rampazzo tocou com os irmãos Ricardo e Junior, como Os Psicodélicos. Mas os Beatles já começavam a ser o primeiro e único conjunto de sua vida. É o grande idealizador da Banda Beatles 4Ever, que começou no inicio dos anos 80.

Fascinado pelo som do grupo inglês, Rampazzo rompe com a batida do violão e decide radicalizar. Sai a procura de partituras das músicas dos Beatles e se decepciona.”Era tudo cifrado e os arranjos diferentes das gravações”. O passo seguinte, foi ouvir cada disco, apurar o ouvido e transcrever os arranjos. Autodidata e muito habilidoso, foi responsável pela maioria dos arranjos do grupo.

Entre os instrumentos que toca estão o violão, a guitarra, o baixo, o pedal Steel Guitar, a cítara indiana (instrumento de 20 cordas que emite ondas gama) , muito utilizado para meditação. Marcus Rampazzo também se esmera em aprender tocar instrumentos pouco comuns. Entre eles destaca-se uma guitarra com harpas que ressoam a cada nota, muito parecida com a usada por Jimmy Page, do grupo Led Zepelin.

Tem um estúdio de gravação onde ensina guitarra e onde se reúne o grupo para os ensaios. Mantém também uma oficina para reparos de instrumentos musicais.Marcus possui uma invejavel coleção de instrumentos iguais aos dos Beatles, e originais de epoca e não imitações ou re-edições. São instrumentos raros hoje em dia no mundo inteiro e que proporcionam o som preciso que os Beatles 4ever apresentam.

Você seria capaz de se lembrar da primeira vez que ouviu o som dos Beatles?
Sim. Foi na época do colégio, talvez em 1963 ou 1964, na hora do recreio. Começou a tocar “I Wanna Hold Your Hand”. Fiquei paralizado, pensando “Que som é esse?”, “Quem está tocando?”.

O que o motivou a começar a tocar músicas dos Beatles? Você já era músico quando conheceu a banda?
Não, na época não era músico ainda. Aliás, virei musico por influência deles, principalmente. Claro que nesse tempo tinha a Jovem Guarda aqui no Brasil, que tambem me influenciava bastante. Mas logo percebi que a Jovem Guarda também vinha dos Beatles. Isso fortaleceu mais ainda a minha ligação com os Beatles.

Além do trabalho como cover dos Beatles, você também produz algum trabalho próprio?
Sim. Sou produtor e arranjador de estúdio. Minha primeira produção foi o “Actos 2”, um trabalho gospel, onde além de produzir, toquei a maioria dos instrumentos. Foi nessa produção que o Dudu Marote entrou num estudio pela primeira vez, para tocar teclado, a meu convite. Atualmente tenho 2 projetos de trabalho próprio de música instrumental neo-clássica.

Na sua opinião, qual o melhor guitarrista especializado Beatles no Brasil?
Sem falsa modéstia, não conheço ninguém que tenha investido tanto, estudado tanto e se dedicado tanto a tocar guitarra como os Beatles do que eu. Sempre me esforcei em ser o melhor, apesar de saber que existem ótimos guitarristas concorrendo comigo.

Você tocava na Banda Revolution, certo? Como foi a experiência de tocar com o Marco Antonio Mallagoli? Vocês ainda tem contato?
Quando o Marcio Rezende, que fazia o papel do George no Revolution, passou a fazer o papel de John, fui convidado para assumir o papel de George. Isso foi em 1994 e durou até 1998, quando o Beatles 4ever voltou a tocar. Aí fiquei sem tempo para as duas bandas. Mas continuo vendo e falando sempre com o Marco Antonio.

Membros da lista Beatles Brasil já discutiram sobre o conteúdo que você carregava nas mãos quando o George Harrison esteve no Brasil em 79. Segundo a Maiarha, você possuía vários recortes de jornais e revistas. Afinal, o que exatamente você carregava para mostrar ao George? Você chegou a falar com ele?
Na verdade eu carregava um violão Martin e alguns outros materiais (talvez fotos e revistas), que não me lembro mais ao certo. Eu estava com o André Christovam e ficamos muito tempo na porta do Hilton, na Av. Ipiranga, à espera do Geroge. Acontece que quando ele chegou e desceu do carro , um grupo de umas 3 meninas que se diziam fãs correram em cima dele, e começaram a puxá-lo. Assustado, ele começou a correr e sumiu dentro do hotel. Assim, só consegui tirar algumas fotos, infelizmente.

Entre todas as chamadas “vintage guitars”, você seria capaz de indicar a sua como grande favorita?
Gostaria muito de ter uma Fender Stratocaster 1954 .

Como você reagiu à notícia do falecimento do George?
Olha, fico sem palavras… mesmo sabendo da gravidade do caso, e acompanhando as notícias através da Katia (assessora do Emerson Fittipaldi), que estava sempre em conatato com ele, a notícia me chocou muito. O que me consola é que eu cheguei a enviar pelo Emerson um CD que gravei em homenagem a ele, com um musica feita especialmente para ele, que se chama em português “Andando no parque com George”. E sei que foi entregue e que ele ouviu. Mas no fundo sinto que uma parte de mim morreu também.

Seja sincero: você gosta mais dos Beatles ou do George em carreira solo?
Hummmmmmm… é muito dificil, quase impossível responder… fico muito dividido… mas se tiver mesmo que responder, escolho os Beatles, por ser a origem de tudo.

Como está a agenda da banda Beatles 4ever?
Graças a Deus com muitos shows. Nem no auge dos anos 80 fazíamos tantos shows. Veja detalhes em www.beatles4ever.com.br.

Dentre todas as beatlesongs que sua banda toca ao vivo, qual a mais difícil de ser executada?
Acho que “And your bird can sing”. Existe um dueto de guitarras de John e Paul e ainda uma guitarra rítmica. No show tenho que fazer a rítmica, além da minha parte solo.Também “Carry That Weight” me dá muito trabalho na parte solo, com as guitarras de Paul, George e John (nesta ordem), onde tenho que ficar trocando de timbres e selecionando os captadores a cada instante.

Vocês já pensaram em gravar um CD ou home-video com a banda Beatles 4ever?
Para falar a verdade o CD já existe, e foi gravado ao vivo no Crown Plaza, aqui em São Paulo. Mas prefereria mesmo um home-video, pois acho que seria mais fiel ao proposito, pois um CD… é melhor ouvir o original, certo? Rs… Rs…