John Lennon

Escândalo no aniversário de Paul: a briga de John Lennon que quase matou um cara na porrada

Em junho de 1963, Paul McCartney celebrava seu 21º aniversário em Liverpool, uma festa que, embora pretendesse ser uma celebração familiar, ocorreu no auge da ascensão meteórica da banda. Este período marcou a transição final dos Beatles de músicos locais para ícones nacionais, em meio à iminência da Beatlemania.

O evento, realizado na casa de sua Tia Jinny, em Huyton, rapidamente se degenerou em uma grande bebedeira, com a presença de amigos da banda e músicos locais. A atmosfera era propícia ao excesso de álcool, um fator que consistentemente exacerbaria o temperamento já conhecido por ser volátil e agressivo de John Lennon.

Nesse ambiente tumultuado, Lennon envolveu-se em um confronto físico com um convidado, um disc jockey (DJ) local que tinha alguma influência no circuito musical de Liverpool. O ataque foi desencadeado por uma provocação direta de natureza profundamente pessoal, uma das “encrencas” em que Lennon costumava se meter quando estava “de porre”.

A origem da provocação estava ligada a uma viagem que John tinha feito recentemente à Espanha com Brian Epstein, o empresário do grupo. Epstein era abertamente homossexual, e a viagem solo dos dois, ignorando a esposa de Lennon, Cynthia, tinha levantado suspeitas e fofocas no círculo íntimo da banda.

O DJ, embriagado, usou essa viagem como base para seu ataque verbal, dirigindo a Lennon o insulto de “bicha”. Esta ofensa, que zombava da honra e da masculinidade de Lennon e insinuava uma relação imprópria com Epstein, era algo que o músico não toleraria, especialmente depois de ter feito a viagem para que Epstein soubesse quem era o líder do grupo.

Em uma explosão de raiva incontrolável e violenta, Lennon reagiu imediatamente à ofensa. Mais tarde, ele próprio descreveria a agressão com termos chocantes, confessando: “Eu amarrotei o cara”, e admitindo que “Quebrei os cornos dele”.

Para evitar que o incidente se tornasse um escândalo público, o assunto foi resolvido discretamente por meios legais, com Lennon pagando “duzentas libras para resolver a questão”, através da intervenção diplomática do próprio Brian Epstein.

John reconheceu o significado da briga, identificando-a como “provàvelmente a última briga feia que eu tive”. O episódio marcou, na sua vida, a linha divisória entre a juventude turbulenta do Teddy Boy e a imagem controlada exigida pelo superestrelato. O evento, que terminou com a violência e o pagamento de indenização, simbolizou como o mundo exterior poderia contaminar as dinâmicas internas dos Beatles. A briga acentuou a tensão latente e o ressentimento competitivo que existia na relação entre Lennon e McCartney, mesmo que a música fosse uma “amnésia curativa” para os dois.

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