Beatlemania Nacional John Lennon

‘Power To The People’: o que rolou na exclusiva audição antecipada em SP? Confira!

Brindes do evento de audição antecipada – Pôster, duas fotos de John e Yoko e adesivo do ‘Power To The People’.

Ontem, 9 de outubro, aniversário de John Lennon e dia anterior ao lançamento do boxset ‘Power To The People’, a Universal Music Brasil promoveu uma audição antecipada à materiais selecionados do box em questão; Mas não se engane! O evento foi pequeno, não divulgado publicamente e apenas algumas pessoas selecionadas que adquiriram o box na pré-venda através da via Universal Music receberam um e-mail com um convite formal para a audição. Como sempre, o Portal Beatles Brasil (mais uma vez) marcou presença em mais um importante evento da ‘beatlemania nacional’.

Sendo assim, vamos ao review:

No local não havia nenhuma placa, pôster ou qualquer tipo de confirmação visual indicando que naquele endereço que ocorreria o evento, o que era de se esperar (de certo modo) de um evento que não foi publicamente divulgado. Entrando no local, é um estúdio profissional de alto nível, e todos foram muito bem recebidos com comes e bebes que iam de café e bolacha à refrigerantes zero, cerveja e sanduíches.

Primeira coisa a se mencionar é que a audição toda ocorreu em sistema Dolby Atmos de áudio, no qual o estúdio parecia ser especializado. Outra coisa é que, apesar de ser um evento oficial da Universal Music Brasil, nenhuma grande figura da beatlemania nacional estava presente ou sequer foi mencionada. Na verdade, todos pareciam meios perdidos.

Sala de estúdio especializada para Dolby Atmos na qual ocorreu a audição.Não haviam decorações, música ambiente, figuras midiáticas ou fã clubes, apenas os responsáveis e os convidados selecionados. Mas então, depois de mais ou menos uma hora, fomos definitivamente levados à sala de som para ouvir (e ver) alguns materiais selecionados do ‘Power To The People’ (ou seria Sometime In-, digo, ‘New York City’). No local haviam caixas de som estrategicamente posicionados ao nosso redor para criar a experiência imersiva Atmos, e um televisor Full HD onde veríamos alguns vídeos do período de 1972 de John & Yoko.

Sobre o material, um organizador do evento, segurando sua ‘colinha’ de informações, nos disse que veríamos materiais de vídeos, e outros de áudio apenas, que foram selecionados e disponibilizados pela Universal Music para que criássemos expectativas ou conclusões sobre a qualidade (quase inquestionável) do alto nível de produção dos boxsets de Lennon (e às vezes Ono, também).

Tudo se inicia com um áudio que parecia ser do backstage de um dos dois concertos do ‘One To One Benefit Concert’ ocorridos no Madison Square Garden, e então assistimos a vídeos remasterizados e remixados de “Come Together”, “Well, Well, Well”, “Cold Turkey”, “Don’t Worry Kyoko”  (que parecia ser inédito, com John usando uma Gibson Firebird azul) e “Instant Karma! (We All Shine On)”. Alguns desses vídeos já estão disponíveis nas principais plataformas. Foi também apresentado um remaster e remix do vídeo de “Well (Baby Please Don’t Go)” com Frank Zappa & The Mothers ao vivo no Fillmore East, em 1971.

Alguns momentos dos vídeos ao vivo apresentados (One To One ’72 / Fillmore East ’71).

Depois então passamos para um momento de materiais de áudio apenas, sendo apresentado o famoso “Ultimate Mix” (tratamento que todos os vídeos mencionados anteriormente também receberam) de “New York City” e “Angela”, seguido pelo mais novo videoclipe de “Sunday Bloody Sunday” que mostra um histórico de algumas das maiores guerras e genocídios da história, marcando o número de vítimas e gastos financeiros estimados, bem como a duração dos conflitos. Vimos também um clipe de “Sisters, O Sisters”, como Yoko no vocal, no Apollo Theater em 1971; Lógico, remasterizado em Full HD.

Logo em seguida ouvimos alguns takes de sessão de “Attica State” que duraram quase 10 minutos, ou por volta disso, seguido de algumas demos. Por se tratar de um material de ‘áudio apenas’, rolou um slideshow com imagens frente e verso de todas as master-tapes de todas as músicas do álbum “Sometime In New York City”. Claro, a primeira faixa original apareceu censurada como “Woman Is The          Of The World”. Se encaminhando para o final, assistimos a uma cena de John e Yoko num quarto de hotel com John tocando “Honey Don’t” no violão, cena essa que pertenceria ao filme “Clock”, que nunca foi finalizado ou oficialmente lançado pelo casal. E por fim, tudo se encerra com “Imagine” ao vivo no ‘One To One’.

Ao final, voltamos a nos reunir no saguão, e entre conversas e opiniões sobre o novo lançamento recebemos uma Ecobag do ‘Power To The People’, junto de um pôster, duas fotos (de John e Yoko) e um adesivo [primeira imagem]. Sem ‘perguntas e respostas’, sem ‘after’ ou qualquer tipo de brinde em áudio ou vídeo, fui embora com uma questão mantida em um silêncio atordoante que ecoava pela minha cabeça: e “Woman Is The Nigger Of The World”? É isso? Ela não existe mais e ninguém liga pra isso?

Ecobags presenteadas no após o evento.

Como já abordado antes na entrevista de Sean Lennon por Marcelo Fróes, parece que o próprio estate de John já não se importa tanto com ela, assim cedendo à mídia, e a própria Universal Music (sim) e fazendo a vontade de alguns em não a lançar. John batalhou muito e sofreu para que tivesse não só a faixa lançada, como executada em rádios e locais públicos, e agora, mais de 50 anos depois, alguns continuam não entendendo a importância dela, a crítica e o que John quis abordar ao compô-la e à censuram -inicialmente – pelo título (sendo a expressão “nigger” considerada extremamente ofensiva nos EUA).

Sua omissão só não é pior do que alguns ditos ‘fãs’ que não só concordam com sua exclusão, mas para agradar alguns colegas ainda ousam dizer que ela não era “legal naquela época” e que permanece “não sendo legal hoje”, enquanto, felizmente, outros (como eu mesmo) defendem ela como um dos maiores hinos de Lennon, provavelmente uma de suas mais inteligentes composições. Mais ousada, dura, porém, não tão popular quanto “Imagine”? Sim. Mas tão forte quanto, ou talvez até mais. No fim, praticamente todos que estiveram lá foram embora sem nem mencionar “olha, não é que tiraram mesmo?”, “e aquela música, hein?”… nada! É como se quase todos estivessem até um tanto conformados (ou até ‘contentes’) com ela ‘indo embora’.

Sometime In New York City e sua nova versão híbrida, Power To The People.

Não só isso, mas o evento foi marcado por ausências ilustres, lojas de discos, pessoas midiáticas, música ambiente ou qualquer tipo de ‘atrativo’ que em outros tempos seriam obrigatórios para um evento beatle no Brasil (mesmo que fechado para um grupo seleto)! Nenhuma exposição, loja física oficial, barraca de merchandising, apenas nós, uma sala Dolby Atmos, e os lanchinhos, claro! Será que essa extrema simplicidade e minimalismo são o presente e o futuro dos eventos de lançamentos musicais no geral?

O box foi lançado hoje, dia 10 de outubro, mas apenas parte dele está disponível nos mais tradicionais streamings, como as versões híbridas dos shows ‘One To One’, sem a faixa “Woman Is The Nigger Of The World”. Para quem comprou o box via Universal Music Brasil, a previsão de entrega é para até fevereiro de 2026.

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