The Beatles

Colecionadores de versões devem muito a Michael Jackson

Marcelo Fróes

Os fãs e colecionadores dos Beatles conhecem Michael Jackson mais por seus três duetos com Paul McCartney do que por seus inúmeros sucessos dos anos 70 em diante. Michael Jackson se foi e deixou uma penca de hits inesquecíveis para quem viveu os anos 70, 80, 90 e 2000, mas para o coração beatlemaníaco fala mais alto a lendária birra com Paul McCartney.

Após a morte de Jackson, o assunto voltou à baila quando surgiu o boato de que ele possivelmente teria incluído McCartney em seu testamento. Como isso não aconteceu, e para evitar maiores especulações acerca dos desentendimentos entre os ex-amigos, Macca veio a público e tentou abafar a fofocada.

Poucos se dão conta disso, mas os fãs, colecionadores e produtores de regravações dos Beatles devem acender uma vela para Michael Jackson. Seu controle sobre a obra certamente permitiu muito mais versões mundo afora, ainda que a utilização em campanhas publicitárias seja assunto controvertido. Ao arrematar o catálogo da ATV em 1985, Michael Jackson levou para debaixo de seu braço o controle editorial das canções que Lennon e McCartney haviam vendido para a ATV em 1969. John e Paul continuavam e continuam recebendo royalties como compositores, mas a ATV sempre teve controle editorial e decidia o que se fazer com as obras. Em suma, Michael Jackson tornou-se senhor do catálogo e o levou para uma parceria com a editora da Sony Music, sua gravadora desde o final dos anos 70.

Desde então a Sony ATV tem controle sobre as obras de John e Paul, que recebem seus royalties autorais através da editora EMI. Se você hoje gravar uma antiga canção de Lennon e/ou McCartney, a Sony diz sim ou não, e estipula as condições. E saiba você que algo em torno de 45% ou 50% da grana ficarão para a Sony e o espólio de Michael Jackson, enquanto que 50% ou 55% irão para a editora EMI, que repassará uma parte para Paul e outra para Yoko. É basicamente isso.

Por que Paul McCartney ficou irritado? Porque perdeu a chance de retomar o poder de decisão sobre as obras. Quando conviveram entre 1981 e 1983, muito conversavam sobre catálogos de editoras musicais. McCartney ensinou muito a Michael Jackson, sobre o investimento em edições musicais etc, e Michael brincava dizendo que um dia compraria o catálogo dos Beatles. Quando o catálogo da ATV foi a leilão, Paul achou que ele e Yoko deveriam comprar em igualdade de condições – de forma que John e Paul detivessem conjuntamente o poder sobre a administração de suas obras. Yoko foi consultar tarot e outras referências místicas, Paul ficou esperando e… Michael Jackson adiantou-se, levando para si um dos catálogos musicais mais rentáveis da indústria do entretenimento. That was your first mistake, Paul. O próximo, a gente sabe, foi com uma loura.

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